sina

Kilian Eng

No fim de Sua criação, nem Deus sabia o que fazer. Apenas fitou todo o Universo e disse "agora se virem!", e tudo se virou. Se virou um ao redor do outro e nunca mais parou. Daí, Ele sumiu. Dizem que ficou banguela por causa de uma estrela caidente, o que o fez ir embora para o mundo celestial para sempre. Uma pena ainda não existirem dentistas, fadas, travesseiros e moedas naquela época. O mistério da vida não revelado por causa de dentes caídos. Poxa. Não é de se espantar que as coisas continuem girando por aí, sem saber o que fazer. Sem ninguém pra lhes dar outro direcionamento. Afinal, por que não seguir uma ordem dada se não há nada mais a se fazer além de seguir a ordem dada? Uma chatice mesmo. Tudo o que existe fruto de infinitos trezentos e sessenta graus largados a esmo no meio do nada. No meio? No canto. Na quina. Na beira. Sei lá. Pra ficar girando, gerando, girando, gerando até o fim dos tempos. Se é que há tempo. Se é que há fim. Não há sentido na ordem. E em busca de sentido o que a gente faz? A gente escreve. Escreve palavras e mais palavras em seus infinitos significados. Pra depois, com nossa boca cheia de dentes, dizer a elas que se virem, que se virem em muitas outras coisas, e nunca mais parem.